terça-feira, 5 de maio de 2009
Sobre a honestidade
Última quarta presenciei, e fui alvo de um inconveniente logro. Furar-fila é algo tão comum e patrimoniado como cultura Brasileira, que por vezes nos espantamos com algum reclamão-escandaloso que brada aos 4 ventos a peripécia de algum gatuno de plantão. Pois bem, nesse dia fui considerado um gatuno (uau!, aliás miau!), pelo simples fato de ter ido a lixeira e voltado para meu lugar na fila sorrateiro, tomei um grande susto, não só pela encenação trágico-cômico-comédia-pastelão (vai virar roteiro de animação, me aguardem). Nada mais estarrecedor do que ter sua Palavra, (sim, aquela do “dou minha palavra!”) contestada e recontestada. “Não, não furei (a porra) da fila seu fiscal...”, “Vou perguntar novamente, rapaz, você furou a fila?”, “Mas eu tenho testemunhas!(um milagre aconteceu, falei rápido sem pensar)” - ah, agora sim, onde eu queria chegar, “Não, ele não furou!!!” disse o povo em coro, ensandecido para chegar logo em casa, ou ver aquela van em movimento. Aí, sim. O fiscal se convenceu, e perguntou educadamente, “o senhor não poderia ceder sua vaga para ela que está atrasada para a aula (virei até senhor nessa)???”, “Não (minha palavra não vale mais nada, catso! Pensei vingado - mesquinharia pouca).”. Fim de papo, pé no acelerador e toda a van animadamente (quanta simpatia!) se despediu da senhora, que esperaria nos 5 minutos seguintes pela próxima condução e talvez ruminaria sobre o acontecido. Lição do dia... foram várias lições, a senhora teve a sua, eu tive as minhas, mas a melhor foi a de perceber que quem manda é o povo (dedo em riste, me salvaram de uma grande vergonha). Entre mortos e ofendidos, passei incólume, mas fico a pensar em quem não tem testemunhas para te defender, injustiçado (era uma mísera vaga numa van convenhamos!) pela vida, só pode execrá-la mesmo. Pensar rápido e agir mais rápido ainda, podem ser vitais na linha que separa sua honestidade de uma pequena mentirinha. Refletimos sobre isso.
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