quinta-feira, 27 de março de 2008

Um pouco sobre a fragilidade da vida


Já virou clichê dizer que a única certeza da vida, é a morte. Sem morte não há vida, a morte alimenta a vida, num ciclo harmonioso.

Terça-feira, última, presenciei uma das experiências biológicas que no alto dos meus 25 anos nunca imaginei que poderia acontecer literalmente ao meu lado. Estava eu, no meu costumeiro almoço, entre a minha quinta e sexta garfada, e meu avô e seus 84 carnavais a ler o seu jornal. Um barulho de jornal ao vento acusava algo de errado, eram as mãos trêmulas do ancião, estava em estado de choque. Um rubor sem igual. Diante de tal circunstância, O QUE FAZER?? 911, chorar, rezar, boca-a-boca, band-aid?? Tirei sua pulsação: 90 batimentos por minuto para um idoso sentado, pareceu-me ser muito. Levamo-lo ao hospital, mal ele se agüentava com as próprias pernas. Atravessamos a cidade. O trânsito fluía. Quanto mais nos aproximávamos do PS, ele recobria suas forças proporcionalmente. Prontamente atendidos, tiraram sua pressão, a essa altura do campeonato estava 15-9, razoavelmente hipertenso. Testes laboratoriais de rotina foram feitos... tudo normal... COMO NORMAL? Ele perdeu os sentidos, prostradíssimo! Quem entende a vida? Uma hora achamos que ela nos pertence, outra hora, ela nos mostra que é tudo passageiro, estamos a mercê de seus caprichos. Um sopro que nos dá vida, uma brisa qualquer pode nos levar o último suspiro. Um tombo, uma bala perdida, um carro na contramão, um coágulo inoportuno, viroses famigeradas... morremos todos os dias aos poucos, alguns são acelerados pela solidão, outros pela fome, desgosto... mas a cada dia que nasce temos a chance de renovar nossos votos com a vida, fazendo o que achamos ser o certo, por vezes não fazendo nada, vamos com a maré, deixando a poesia da vida, versada e cantada aos poetas... O senhor meu avô passa bem no momento, continua a cuidar das suas flores, a responder suas cartas e a ir a feira Sábado de manhã. Singelo assim, vai vivendo e gostando. O que eu quero saber é: qual a notícia que ele estava lendo naquela hora?

segunda-feira, 17 de março de 2008

Truco, então...


“...pessoas que fazem valer todo o potencial que têm, mesmo que mais limitado, acabam sendo promovidas e subindo mais rápido na carreira. O que conta não é o que você sabe, mas o que você mostra que sabe e como consegue usar isso”. Reinaldo Passadori, especialista em comunicação verbal, extraído do Estadão caderno de Empregos.

Quando li isso pela primeira vez, que me veio em mente foi “saiba convencer, saber é secundário”, se contrapondo a um ditado japonês que diz “a águia inteligente esconde as garras”, frase que tinha acabado de ler nessa semana (coincidência?). A moral do ditado, você não precisa ficar exibindo tudo o que tem, o sábio sempre guarda algo na manga. Mas os tempos mudaram, a águia hoje em dia tem que provar que é águia e que consegue trabalhar como urubu, papagaio, etc.

Curiosamente, a natureza usa dessa estratégia em outros contextos, como por exemplo no gato que quando acuado, arrepia todos os pêlos parecendo maior, na asa da borboleta-coruja (Caligo beltrao) que se faz parecer um predador exibindo olhos atemorizantes... mas outro dia li algo interessante, sapos na época do acasalamento, avaliam o fitness, em outras palavras, o preparo físico pelo coaxar do adversário. Quanto mais grave (baixa freqüência) a voz, mais forte, tecnicamente, (existe uma relação muito grande com a testosterona, hormônio masculino, testosterona>voz grossa=músculos) o adversário. Cientistas puseram frente a frente um macho intruso (1) e um residente (2) com sua parceira/namorada. Não permitiram que o macho 2 coaxasse e através de um alto-falante controlavam a freqüência da voz a ser exibida. Não deu outra, machos com “voz” mais agudas foram sempre atacados mais pelo intruso do que os graves, mesmo sendo visivelmente menores. Mostrando que lutas no reino animal, são feitas para o mínimo desgaste, não sendo interessante se estrepar todo, contra um oponente de igual/maior compleição física, para isso mecanismos pré-combate (coaxar) dão dicas sobre o preparo do rival. Cá entre nós, o ato de cantar é desgastante mesmo, é preciso estar com saúde 100% para praticá-lo, imagina cantar resfriado, não rola, né.

Finalizando e juntando os retalhos, como diria Chacrinha: "quem não se comunica, se instrumbica" (tanto para não tomar uma surra, qto para arranjar um emprego), eu diria mais, se "instrumbica" quem nao se comunica direito, saber um monte de coisa e não saber transmiti-la, é como uma enciclopédia empoeirada na estante, perfumaria... no Século da informação, filtrar informação e sintetizar conhecimento é requerido para todos os níveis de conhecimento. E eu não tenho visto gente ensinando isso. A não ser mais e mais decorebas... ( “estudamos para as provas e aprendemos com a Vida.” seria essa minha síntese acadêmica?). Concordando ou não com esse pensamento... Bom, no meio desse dilema... Eu peço TRUCO! (isso eu aprendi nos intervalos das aulas). Haja o que o houver...

domingo, 16 de março de 2008

Dia de Concurso

Hoje foi um dia atípico, 7h15, metrô tranquilíssimo, também pudera, é DOMINGO! ah se todos os dias fossem assim... E eu indo fazer a bendita prova do concurso... Mas que raio de Prova foi aquela, alguém já ouviu falar em "inexigivelmente"??? entre outras dúzias de palavras, que provavelemente comporia um novo dialeto. Depois dizem que as leis devem ser intelilegíveis para qualquer cidadão. eu, hein! o.O ! Conclusão final, "adieu" Floripa, fica para próxima...









Mas para nao perder o bonde, ou melhor o metrô, hoje, ficamos de cara com alguns adolescentes entorpecidos no banco do trem(amontoados, na verdade) como se estivem no sofá de casa. Apesar dos olhares atravessados dirigidos ao esparramos, nada se fez. Pois bem, pq EU nao fui tirar satisfação? Eu bem que podia ir e falar: " escuta, vc nao está no sofá de sua casa. Estamos num transporte público, por gentileza quer tirar o pé daí? ( raras vezes as melhores respostas me vêm a cabeça tão rápido!) pois bem, olhei para o povo indignado e aqueles sujeitos praticamente desmaiados...

"quer saber hoje é domingo, nao vou estragá-lo batendo boca aqui!" e foi o que aconteceu, os incomodados foram descendo em suas estações e os dorminhocos provavelmente iriam passear por SP. Mas no fundo fiquei puto comigo mesmo, devia ter feito o certo, o medo da exposição é tão dilacerante, que se torna quase um condicionamento pavloviano... não me exponho, não brigo com ninguém e toco minha vidinha. Isso gera um ciclo vicioso. Perigoso para nós mesmos. Vamos nos acomodando, não incomodando, e mudando (de lugar), como se diz o ditado. Lição do dia: carregue sempre uma corneta na bolsa, e cornete os dorminhocos qdo as portas do trem estiverem abrindo. Pq acordar um bando com o trem em movimento, é fria.


ah sim, acabei de lembrar, voltando ao Concurso, pareceu cena de seriado americano (na minha cabeça, é claro)a fiscal, muito simpática por sinal, acaba de ler as instruções da prova e indaga: "alguma pergunta?" instantaneamente, me vem, "qual o seu nome?", ai me lembrei que nao estava mais na 8a. série e nem rodeado pelos meus amigos. Como pertencer a um grupo faz tanta diferença em nossa personalidade? Voltamos ao "causo" dos dorminhocos...

sábado, 15 de março de 2008

1,2,3 já!!

Começando

Hoje como é meu primeiro dia de blog, me darei ao luxo de recapitular os "causos" da semana... e juntar os fatos da semana como se fosse uma coisa só, na verdade na minha cabeça, a "coisa" se assentou assim. ps. aqui a ordem cronológica será acintosamente desprezada.

Penso muito sobre o futuro: trabalho, família, saúde, bem-estar pessoal e social. Na última quarta-feira, fui visitar uma feira de ciência na USP (FEBRACE)e lá me deparei com uma grande estrutura muito bem organizada, que agregava alunos colegiais de diversos cantos do Brasil, trazendo para feira seus trabalhos de Ciência e tecnologia, parecia o laboratório do Professor Pardal. Passei uma tarde inteira, tentando aprender coisas sobre engenharia, eletronica, biologia... estava tão empolgado que o tempo passou voando. Impressionante, a qualidade e a dedicação prestada por esses brasileirinhos a causa da ciência. A primeira coisa que me veio a cabeça foi: " Pow, não tive essa chance no colegial! Me falaram que eu só devia estudar para o vestibular, que minha vida estaria encaminhada!", mas que nada! Quantos talentos são desperdiçados por esse tipo de pensamento moldado pela estrutura atual de acesso ao Ensino Superior. O tema da feira teve enfoque na questão ambiental, desde poluição até motores movidos a hidrogênio (isso ae, um motor que libera água ao invés de CO2!), fico pensando, um enfoque tão grande desse numa feira de ciência (efeito estufa, gases tóxicos, comida contaminada, camada de ozônio estão cada vez mais presentes no nosso dia-a-dia), a água já não está batendo mais na bunda minha gente!! É isso que vamos deixar para nossos filhos? Aqui faço uma ponte com o que me aconteceu no metrô. Um bebezinho no colo de sua mãe não tirava os olhos de mim quando é claro eu olhava para ele (crianças se dispersam tão fácil sem contato visual) fiquei abismado com aquele sorriso tão puro e inocente dado a um estranho, que ele nunca viu e sabe Deus qdo verá novamente... aonde quero chegar com essa digressão, aquela inocência mal sabe o que a espera, e ele está lá todo feliz, sorrindo para o desconhecido. Pessimismo meu? Já me disseram que a ignorância é o têmpero da felicidade (o que é felicidade, afinal, fica para outro post). Acho que devemos lutar por tudo que for verdadeiro, como aquele sorriso que eu vi daquela criança, deixando para eles , no mínino, um mundo melhor do que quando o recebemos.
Nos próximos posts tentarei puxar pela memória os trabalhos que me chamaram atenção na feira.

Teste

Não sabia como começar um blog. Já fazia um mês que essa idéia bateu, e cresceu até se materializar. Na tentativa de compartilhar minhas experiências/vivências/observações, e devido principalmente, as pitorescas elucubrações vividas (que atrasam o meu sono), resolvi me aventurar na Blogosfera.
"Causos" do dia-a-dia, de um usuário do sistema de transporte público de S. Paulo serão o mote de partida dessa empreitada...
os valores humanos (nobreza, gentileza, egoísmo, omissão) são tão interessantemente expostos que seria uma pena não registrá-los.